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Política

Lava Jato arrecadou R$ 1,5 bilhão em multas no caso Petrobras, diz Sérgio Moro

O pré-candidato a presidente e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, ainda ironizou no twitter o fato de os petistas negarem os desvios.

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No Twitter, Sérgio Moro ironiza PT sobre nagacionismo dos desvios ocorrinos na Petrobras
Sérgio Moro durante coletiva de imprensa | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Sérgio Moro, pré-candidato a presidente pelo Podemos e ex-juiz da Lava Jato afirmou nesta terça-feira (30) no Twitter que as multas aplicadas pela Lava Jato em 120 acordos de colaboração premiada homologados pelo STF totalizaram R$ 1,5 bilhão arrecadados só nos casos de desvios na Petrobras.

“Até o final de novembro de 2021, foram arrecadados cerca de R$ 1,5 bilhão no pagamento das multas fixadas em 120 acordos de colaboração premiada homologados pelo STF na Operação Lava Jato. São acordos relacionados aos desvios na Petrobras, aqueles que o PT diz que não ocorreram.”

Sérgio Moro, no twitter

O pré-candidato a presidente fez questão de destacar que o negacionismo do PT quanto aos casos de corrupção investigados pela Força Tarefa. “São acordos relacionados aos desvios na Petrobras, aqueles queo o PT diz que não ocorreram”.

Sérgio Moro afirmou em seu discurso de filiação ao podemos, no início de novembro, que a corrupção continua sendo um dos maiores problemas do Brasil, mas que seu programa de governo iria além e trataria de questões como economia, saúde, educação e combate à pobreza.

A fala de Moro está em consonância com a pesquisa do Atlas Político divulgada pelo jornal Valor Econômico que aponta a corrupção como o principal problema do país para 21,4% dos brasileiros

Adversários de Sérgio Moro estão contaminados pelo tema corrupção

Moro se consolidou como terceira via na corrida presidencial de 2022 nos primeiros 15 dias após sua filiação ao Podemos. Seus dois principais adversários, o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro, que está de mala pronta para o PL, de Valdemar da Costa Neto, estão contaminados pelo tema corrupção.

Recai sobre Lula toda a questão da Lava Jato, cujas investigações apontaram para desvios de recursos, como os da Petrobras, relatado no Twitter de Sérgio Moro. Já Bolsonaro se aliou a políticos e partidos investigados ou envolvidos diretamente nos esquemas de corrupção apontados pela Força Tarefa da Lava Jato.

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Bolsonaro queria Sérgio Moro fora para interferir no Coaf e fechar acordos com o Centrão

Presidente Bolsonaro declarou em entrevista que queria interferência de Sérgio Moro no Coaf.

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Bolsonaro confessa que queria interferir no Coaf e por isso tirou Sérgio Moro
Sérgio Moro e Bolsonaro caminham para uma polarização em 2022 | Foto: Isac Nóbrega / PR

“Esse cara não fez absolutamente nada para que Coaf, a Receita, não bisbilhotasse não só a minha vida como de milhares de brasileiros.” A frase, dita por Bolsonaro em entrevista à Gazeta do Povo, soa como uma confissão de que o presidente da República queria que o então ministro da Justiça Sérgio Moro interferisse no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para impedir investigações relacionadas à família presidencial.

O presidente da República continou: “Isso nos atrapalha. Você pode investigar o filho do presidente? Pode. Você pode investigar a mulher do presidente? Pode. Mas investiga legalmente, com uma alegação formal. Eu posso ser investigado, mas não dessa forma como eles fazem“, afirmou Jair Bolsonaro.

Sérgio Moro pediu demissão do Ministério da Justiça em abril de 2020 alegando que Jair Bolsonaro tentava interferir politicamente na Polícia Federal.

À época, ao deixar o cargo, Moro declarou: “Não tenho como persistir com o compromisso que assumi sem que tenha condições de trabalho, sem que tenha condições de preservar a independência da PF, ou seja forçado a sinalizar concordância com uma interferência política cujos resultados são imprevisíveis”.

Bolsonaro e Centrão queriam a cabeça de Sérgio Moro

Um ano antes da saída de Sérgio Moro do cargo, o presidente Bolsonaro tentava uma manobra para tirar o Coaf do Ministério da Justiça e colocá-lo sob o guarda-chuva do Ministério da Economia. Isso nos bastidores. Em público, dizia defender a permanência.

Naquele ano, Bolsonaro negociava do apoio do Congresso para a aprovação da Reforma Administrativa, a MP 870.

A moeda de troca com os parlamentares do Centrão, para que o governo conseguisse a aprovação, era tirar de Sérgio Moro, então Ministro da Justiça, o Coaf.

É de responsabilidade do Coaf o recebimento de denúncias de movimentações financeiras consideradas suspeitas e o seu exame. Caso seja identificado algum crime, cabe a ele aplicar sanções administrativas e informar as demais autoridades competentes sobre o ocorrido, especialmente a Polícia Federal e MPF. É um órgão importante no combate à corrupção e a lavagem de dinheiro.

A afirmação de Bolsonaro que não fazia oposição em “devolver” o órgão ao Ministério da Economia foi feita durante um café da manhã com jornalistas no dia 25 de abril de 2019.

“Não me oponho em voltar o Coaf para o Ministério da Economia, apesar de o Paulo Guedes estar com muita coisa. Falei hoje (ontem, quinta-feira) com o senador Fernando Bezerra (relator da medida provisória) sobre a votação. Tem um ponto ou outro. Se não aprovar, será uma bagunça. Teremos que ter mais sete ministros”

Jair Bolsonaro, 25 de abril de 2019

Dez dias depois, em 09 de maio de 2019, por 14 votos a 11, a comissão especial mista que analisa a Medida Provisória da Reforma Administrativa (MP 870/19) decidiu tirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça e Segurança Pública e transferi-lo para o Ministério da Economia.

No dia seguinte à aprovação, Bolsonaro declarou em uma live no Facebook: “Estão pegando a Coaf do Moro e mandando para o Paulo Guedes. Esperamos que o plenário mantenha a Coaf no Ministério da Justiça, porque é uma ferramenta muito forte para combater a corrupção e a lavagem de dinheiro”, disse.

Líder do governo no Senado comemora aprovação de Medida Provisória que transferia o Coaf para o Banco Central
Líder do Governo Bolsonaro comemora a votação no Senado que transfere o Coaf para o Banco Central, dezembro de 2019
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Era apenas uma declaração. Nos bastidores, a negociação como Centrão estava consolidada. Os deputados federais incluiram a alteração que transferiu o Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. O Senado aprovou o texto no dia 28 de maio de 2019.

O presidente Bolsonaro podia ter vetado a transferência do Coaf, mas não fez. Fazia parte do jogo de cena político.

Em 20 de agosto de 2019, Bolsonaro edita mais uma Medida Provisória, daquela vez, transferindo o Coaf do Ministério da Economia para o Banco Central (BC) e mudando o nome do órgão para Unidade de Inteligência Financeira (UIF). O Congresso aprova a transferência para o BC em dezembro, mas mantém o nome.

Quatro meses depois, em dezembro daquele ano, Bolsonaro contraria Sérgio Moro e veta 25 pontos do Pacote Anticrime defendido pelo então Ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato. Um deles, tratava da captação ambiental, ou seja, a escuta policial. “§ 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do art. 5º da Constituição Federal.”

Os vetos, segundo Moro, dificultariam o combate à corrupção.

Sem Sérgio Moro, Centrão tomou conta do governo Bolsonaro

Ciro Nogueira, líder do Centrão pelo Progressistas, começou a indicar cargos no governo Bolsonaro com a saída de Sérgio Moro do Governo.
Antes de se tornar ministro da Casa Civil, com saída de Sérgio Moro do Governo, Ciro Nogueira começou a indicar cargos

Após a saída de Sérgio Moro do governo, Jair Bolsonaro começou uma série de aproximações com o Centrão a partir de maio de 2020. Naquele período começaram as nomeações de indicados de partidos como PL e Progressitas.

Para diretor do Fundo Nacional de Densenvolvimento da Educação, um mês depois da saída de Moro, Bolsonaro nomeou Garigham Amarante Pinto, indicação do então deputado federal Wellington Roberto Faguntes e de Valdemar Costa Neto, do PL.

Outro diretor foi indicado pelo então senador Ciro Nogueira, do Progressitas. Pouco mais de um mês depois da saída de Sérgio Moro, o governo nomeou para a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), chefe de gabinete de Ciro, Marcelo Lopes da Ponte.

Só na educação, o orçamento administrado pelos integrantes do Centrão somam R$ 55 bilhões.

O hoje ministro Ciro Nogueira, também em maio de 2020, junto com o presidente da Câmara, Artur Lira, do seu partido, apadrinharam Tiago Pontes de Queiroz para a Secretaria Nacional de Mobilidade como gestor de um orçamento de R$ 17,2 bilhões.

Indicado do Centrão foi acusado de falsificar documento

Uma reportagem de VEJA publicada no ano passado mostrou que Tiago foi acusado de falsificação de documentos e estelionato, admitiu o crime e aceitou ressarcir a vítima para se livrar de condenação.

A revista Veja publicou uma reportagem no ano passado e revelou que Tiago foi acusado de falsificação de documentos e estelionato. Ele havia admitido o crime e aceitou ressarcir a vítima para se livrar de condenação.

Thiago era sócio de um escritório de advocacia que ofereceu a um empresário um terreno em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. O empresário que comprou o terreno deu uma entrada de 1,3 milhão de reais, mas logo soube que tinha caído em um golpe. Thiago Queiroz e seu sócio haviam falsificado a assinatura dos verdadeiros donos do terreno.

Ele já tinha sido denunciado pela Procuradoria da República no DF por improbidade administrativa juntamente com o ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros. Ambos foram acusados de favorecer empresas em uma licitação para a compra de medicamentos.

Tiago Pontes deixou o cargo no governo Bolsonaro em outubro deste ano após o Ministério Público Federal abrir uma investigação sobre sua nomeação. Mas segundo a imprensa, ele emplacou sua sucessora no cargo.

Não cabia no mesmo governo o Centrão e Sérgio Moro.

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Política

Deltan Dallagnol: o homem que deixou uma carreira promissora para lutar pelo Brasil

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Deltan Dallagnol
Deltan Dallagnol | Foto: Pedro de Oliveira / Alepi

Deltan Dallagnol, 41 anos, foi procurador da República, integrante e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, maior operação de combate à corrupção do Brasil. Depois de 18 anos de carreira, ele deixou o Ministério Público Federal (MPF).

No twitter, Dallagnol escreceu: “Após mais de 18 anos de trabalho em amor ao próximo, estou saindo do Ministério Público e queria contar a você o porquê. Minha vontade é fazer mais, fazer melhor e fazer diferente diante do desmonte do combate à corrupção que está acontecendo”.

O ex-procurador falou também sobre o que chamou de “vingança do sistema”, em referência à anulação das condenações da Lava Jato.

“Além disso, a vingança do sistema tem sido violenta e incessante, com a anulação de processos, mudanças legislativas que favorecem a impunidade, tentativas de sequestro da narrativa e assassinato de reputações, tudo com o objetivo de manter tudo como sempre foi”

Deltan dallagnol

Após deixar o MPF, Dellagnol anunicou sua filiação ao Podemos, partido que tem como filiado o ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato a Presidência da República, Sérgio Moro. O evento de sua filiação será nesta sexta-feira (10), em Curitiba.

“Me filiarei ao Podemos, partido que expressou um compromisso de lutar por 3 causas em que acredito: democracia, preparação política e combate à corrupção. Será o primeiro passo de nova etapa da minha vida, em que quero fazer mais, fazer melhor e fazer diferente”, afirmou Deltan nas redes sociais.

Deltan Dallagnol faz parte de uma geração que ficou conhecida pela atuação na Lava Jato. É bem provável que o reconhecimento pelo seu trabalho de combate à corrupção o leve a um cargo eletivo como deputado federal ou senador da República pelo estado do Paraná.

Desde que deixou o MPF, sua movimentação tem sido a de construção de um caminho político. Ele tem mantido uma presença intensa nas redes sociais e não há dúvidas: sua campanha será pautada no combate à corrupção.

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Sérgio Moro já tem metade das intenções de voto de Bolsonaro, aponta pesquisa

Pesquisa da Genial/Quaest aponta que dentro da margem de erro, Sérgio Moro já tem metade da intenção de voto de Bolsonaro.

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Sérgio Moro já tem 50% da intenção de votos do presidente Bolsonaro

Pouco mais de um mês depois de se filiar ao Podemos, Sérgio Moro já alcança metade das intenções de voto do presidente Jair Bolsonaro, segundo dados da pesquisa Genial/Quaest realizada entre os dias 2 e 5 de dezembro.

No cenário de primeiro turno, Bolsonaro apresenta 24% das intenções de voto e Sérgio Moro tem 11%. Como a margem de erro é de 2 p.p., Jair Bolsonaro pode ter entre 22 e 26%, e Moro, 9% a 13%. Assim, o pré-candidato a presidente pelo Podemos já teria alçando metade da intenção de voto do atual presidente da República.

Considerando a exposição na mídia de Jair Bolsonaro (PL) investido no cargo presidencial, com inaugurações de obras pelo país, uso do aparato público e constante ocupação do noticiário, Sérgio Moro ainda está no início da caminhada eleitral em direção a 2022. Contabilizar 50% da intenção de voto do presidente em mandato é algo significativo na corrida eleitoral.

Sérgio Moro já tem metade das intenções de voto de Bolsonaro, aponta pesquisa
Na margem de erro, Moro alcança 50% da intenção de voto atribuída ao presidente Bolsonaro

Na mesma pesquisa, o ex-presidente Lula (PT) apresenta 47% das intenções de voto.

Em recente entrevista, o diretor da empresa Quaest, Felipe Nunes, declarou que Sérgio Moro pode chegar a 30% das intenções de voto com uma possível diminuição de pré-candidatos e aglutinação de candidaturas. “O ex-juiz tem potencial de chegar a 30% dos votos, o que pode cacifá-lo como a melhor alternativa. Mas tudo depende do número de candidatos disponíveis”, disse ao Correio Braziliense.

Brasileiros não estão interessados em política

Os resultados da pesquisa Quaest mostram que apenas 16% da população brasileira se diz muito interessada por política, enquanto 28% afirmam ser mais ou menos interessados, 26% pouco interessados e 30% se dizem nada interessados no tema.

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