Diante do recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas que podem chegar a 50% sobre produtos brasileiros, o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu lançar uma forte ofensiva política e digital. O partido responsabiliza o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados pela medida, interpretada como um ataque à soberania nacional, motivado por questões ideológicas e retaliações políticas.
A ofensiva digital do PT
A estratégia do PT inclui uma nova campanha nas redes sociais, que usa vídeos gerados por inteligência artificial para responsabilizar o bolsonarismo pelo que chamam de “tarifaço”. Essa abordagem é similar àquela utilizada na recente campanha que discutiu a taxação dos super-ricos, que gerou significativo engajamento e repercussão online, maximizando o alcance das comunicações do partido.
Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT, destacou que a nova série de conteúdos se mostrará mais incisiva nas críticas ao movimento bolsonarista. A meta é evidenciar os impactos econômicos das tarifas americanas sobre os setores produtivos e no mercado de trabalho do Brasil. Slogans como “Brasil soberano” e “Parem o tarifaço” têm sido amplamente utilizados para moldar a narrativa nas mídias sociais.
Um ataque à soberania nacional
Conforme reportado pelo colunista Lauro Jardim, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, desempenhou um papel relevante nesta ofensiva. Um dos slogans sugeridos por ele expressa o tom adotado pelo partido, que afirma: “Lula quer taxar os bilionários; Bolsonaro quer taxar o Brasil”.
Desde que a medida foi anunciada por Trump, a militância do PT tem procurado atribuir aos aliados de Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, uma responsabilidade direta sobre a decisão do presidente americano. A leitura do PT é que Trump estaria utilizando a retórica comercial para retribuir o apoio político à Bolsonaro, que enfrenta um processo judicial por tentativa de golpe de Estado e é defendido publicamente por Trump.
Críticas nas redes sociais e no Congresso
Hoje pela manhã, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, expressou sua indignação nas redes sociais, criticando Tarcísio e Bolsonaro, afirmando que eles “pensam apenas no proveito político que esperam tirar da chantagem do presidente dos EUA”.
A resposta do PT se manifestou também no Congresso. Em discursos na tribuna e publicações nas redes sociais, parlamentares do partido denunciaram bolsonaristas por “traição à pátria”, alegando que priorizam interesses pessoais em detrimento do bem-estar do país. O deputado Lindbergh Farias, vice-líder do governo na Câmara, declarou:
“Toda a justificativa para retaliar o Brasil é política, numa tese de defesa do Bolsonaro como perseguido. Os vira-latas bolsonaristas conseguiram. Bolsonaro, Eduardo e Tarcísio devem estar muito felizes em prejudicar o Brasil, nossa economia e nossos empregos.”
Contramedidas possíveis e críticas à narrativa de Trump
O PT sugere que o governo brasileiro considere implementar contramedidas baseadas na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite uma resposta a sanções comerciais com retaliações diplomáticas ou econômicas proporcionais. De acordo com a legenda, essa estratégia não foi descartada pelo Palácio do Planalto.
A sigla ainda ressalta a inconsistência na retórica de Trump, apresentando o fato de que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial com o Brasil há mais de uma década. Para o PT, tal evidência enfraquece o argumento de que o comércio bilateral seria injusto para os americanos.
No Senado, os membros do PT endureceram seu discurso. O senador Humberto Costa afirmou: “Essa tarifa é contra o Brasil, não contra um governo”, enquanto seu colega Jaques Wagner declarou: “O Brasil não será quintal de ninguém. O Brasil é dos brasileiros, não de capachos”.
Objetivo do PT com a situação
A expectativa da liderança do PT é usar a situação atual como uma oportunidade para reforçar o conflito com o bolsonarismo, visando assumir o protagonismo na reação popular. O partido deseja se estabelecer como defensor da soberania nacional, da indústria e do emprego, criando um contraste com seus adversários políticos. Ao adotar essa postura, o PT busca alavancar o descontentamento gerado pelas tarifas impostas por Trump e pela narrativa bolsonarista, com o objetivo de solidificar sua imagem política em meio ao atual panorama.