A política cearense enfrenta novas e preocupantes denúncias de corrupção. O deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) se tornou o centro de uma investigação da Polícia Federal (PF), após acusações de um esquema envolvendo emendas parlamentares e a cobrança de taxas indevidas. A ex-prefeita de Canindé, Rozário Ximenes, relatou à PF que um de seus aliados estava cobrando 15% sobre os valores das emendas direcionadas a municípios, gerando um alvoroço na cena política do Ceará.
A denúncia da ex-prefeita Rozário Ximenes
Em entrevista ao GLOBO, Rozário confirmou que as emendas eram oferecidas por Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró. Embora tenha sido eleito prefeito de Choró no ano anterior, o político ainda não assumiu o cargo. A ex-prefeita revelou um entendimento explícito de que era necessário devolver uma percentagem das emendas para esse grupo: “As emendas do Júnior Mano que o Bebeto oferecia pediam retorno de 15%. Recebi uma emenda da saúde e a confusão começou aí, porque eu disse que não tinha condição de dar retorno”, explicou Rozário, reconhecendo claramente a ilegalidade da proposta.
Esquema de laranjas em licitações
Além das emendas, a ex-prefeita denunciou um esquema de fraudes em licitações. Segundo ela, um grande grupo de “laranjas” havia sido montado, dificultando sua capacidade de contratar serviços legalmente. “Eles colocavam o menor preço nos pregões e eu era obrigada a contratar por lei. Mas eram todas laranjas do Bebeto e do Júnior Mano”, afirmou Ximenes. A situação se complicou ainda mais quando ela se recusou a aceitar essas práticas em Canindé.
Rozário relatou que, apesar da pressão, decidiu não se submeter às irregularidades: “Eu disse que não aceitava mais fazer isso em Canindé”, concluiu, ressaltando a pressão que enfrentou durante sua gestão e a tentativa de desvio de recursos públicos que se tornaram comuns na política local.
Impacto das denúncias no cenário político
A representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) possibilitou a operação da PF, que visa desvendar as alegações feitas por Rozário. Seu depoimento é considerado um reforço significativo à hipótese de atividades criminosas e um alerta sobre a manipulação no uso de verbas públicas. O documento destaca que o ‘grupo do Júnior Mano e Bebeto’ teria feito uma proposta explícita de repasse de emendas condicionadas à devolução de 15% dos valores.
Em contrapartida, Júnior Mano se manifestou através de uma nota oficial, negando as irregularidades apontadas. Ele afirmou que ao final das investigações, sua “correção de conduta” será “reconhecida” e ressaltou não ter controle ou influência sobre atos administrativos em prefeituras do Ceará.
As reações e próximos passos
As revelações têm gerado um clima de preocupação e indignação não apenas entre políticos, mas também entre a população cearense, que já possui um histórico de desconfiança em relação à classe política. O governo e a PF devem trazer à tona mais informações sobre as práticas denunciadas e sobre quem realmente está envolvido nesse esquema.
Os próximos passos do caso ainda dependem das revelações que surgirão nas investigações. A crise de confiança em relação à política brasileira persiste, e este episódio pode se tornar mais um capítulo em um longo histórico de corrupção que assola o país, exigindo uma resposta clara e firme das instituições responsáveis.
O que se espera é uma resposta efetiva das autoridades e uma reavaliação das práticas que têm se tornado comuns na política brasileira, reforçando a necessidade de transparência e ética na administração pública, essencial para a recuperação da confiança da população nas instituições.